sexta-feira, março 04, 2005

Pílula do dia seguinte vendida em supermercados?

A pílula do dia seguinte é um dos medicamentos que se vendem sem receita médica e que poderão passar a ser adquiridos nos supermercados, diz a edição desta terça-feira do Público. Apesar de a maioria dos especialistas considerarem que a venda deste fármaco nas grandes superfícies não traz riscos para a saúde pública, alguns vêem na pílula do dia seguinte o exemplo da necessidade de reavaliar e restringir o grupo de remédios que passarão a ser comercializados fora das farmácias.
Luís Graça, presidente do colégio de especialidade de ginecologia e obstetrícia da Ordem dos Médicos, em declarações ao Público defende que é necessário que a lista de medicamentos não sujeitos a receita médica seja «reavaliada, para verificar o que pode ou não ser incluído» nesta nova forma de venda. Luís Graça explica que a contracepção oral de emergência apresenta «grande concentração de estrogéneos», que traz perigos para quem sofre de doença vascular. A venda em hipermercados é uma boa medida para medicamentos como a aspirina ou os antiácidos mas não para a pílula do dia seguinte, que «pode ter efeitos secundários graves». Esta deve ser «uma excepção», afirma.
António Marques da Costa, da Ordem dos Farmacêuticos (OF) concorda com esta posição e afirma que este é talvez «o exemplo mais paradigmático» da necessidade de se estabelecerem «medidas restritivas» da venda fora das farmácias. E diz ainda que se opõe a esta liberalização de venda, lembrando que os profissionais disponibilizam informações a quem adquire este medicamento.
Também o médico Walter Oswald considera que «os medicamentos de venda livre não são todos iguais e que uns acarretam maiores riscos», sendo necessária a discussão sobre esta matéria. Quanto à pílula do dia seguinte, afirma: «É inacreditável que possa ser vendida num supermercado».
Opinião contrária tem o professor da Faculdade de Medicina de Lisboa e obstectra Miguel Oliveira e Silva. «Não vejo qualquer inconveniente. Os medicamentos não vão ser vendidos ao pé dos iogurtes, mas sim numa dependência recatada e onde estará um técnico de farmácia», nota.
Maria José Alves, coordenadora de consulta de mães adolescentes grávidas na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, diz que, independentemente do ponto de venda, o mais importante é explicar às mulheres e raparigas que a pílula do dia seguinte não deve ser usada como contraceptivo regular. «O efeito perverso do seu uso é resultado de má informação».
O presidente da Sociedade Portuguesa de Ginecologia e Obstetrícia, Carlos Santos Jorge, acredita igualmente que a venda da pílula do dia seguinte em grandes superfícies não vai alterar a situação actual. «As jovens já a consomem como contracepção regular, quase de rotina, mesmo sendo vendida só em farmácias». Defende antes que a venda do medicamento seja acompanhada de uma explicação, por exemplo através de um folheto informativo.

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

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20 fevereiro, 2007 23:48  
Anonymous Anónimo said...

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